quinta-feira, 8 de julho de 2010

Na estrada

“Depois de ontem as idéias estão a toda”... Bem-vindos.
Há 90 minutos da instigante São Paulo, no sudoeste do estado fica a Célebre Tatuí. Com cerca de duzentas mil cabeças, tem a economia concentrada em cerâmica e música.
Pronto, resumi em duas linhas a urbe onde eu moro. Difícil vai ser delinear minha interação com... Ela. Esta é uma terra simples, de um povo simples; O que fez com que o tamanho da cidade não me assustasse mesmo tendo vindo de um lugar com quarenta mil habitantes, que coincidentemente chama-se Bambuí, ou carinhosamente, Bãobuí. Aqui não tem shoping, nem praça de alimentação, também não tem um canal de TV; Acho que isso é bom né? Torna-nos mais saudáveis, menos fúteis e bastante conformados pra não voar pra lugar nenhum, o que explicaria a ausência de um aeroporto. Embora eu não seja ultra moderna, toda essa “capialidade” me torna um ser estranho e deslocado que mal consegue manter uma conversa a três; Eu sempre acabo muda a observar o Ê do Sul e o R texano incutidos no sotaque destes pagos...
Tatuianos dão extrema valia à comunicação verbal, eis a razão do monopólio da imprensa radiofônica e dos MUITOS que não lêem nem escrevem, mas, o clima é ótimo.
Falando sério, há algo que me deslumbra aqui; Que talvez eu não ache em outro lugar, e do qual eu nunca vou esquecer: O fácil acesso à boa música; Em razão do bom e velho “Conserva” temos a chance de apreciar shows e concertos incríveis a míseros dez Reais, e o novíssimo tecnólogo em Produção Fonográfica, que é único no país, e há de favorecer aqueles que verdadeiramente amam e acreditam na música.
Questão chave: Porque estamos falando disso? Uma das muitas coisas que aprendi com meus pais é nunca ter medo de recomeçar; Recomeçar é ser capaz de sonhar, e ir buscar o que se quer onde for necessário; É não temer o desconhecido, confiar em Deus e em si mesmo a ponto de deixar o bom, em busca do melhor. Foi o que eu fiz, foi o que eles fizeram; Não fosse isso eu não teria a chance de contemplar meu próprio mundo mais de perto.
Há ainda muita estrada a percorrer, Não vou ficar aqui pra sempre e não sei pra onde vou; Mas, uma coisa é certa: Vou estar onde estiver meu próximo sonho.

3 comentários:

Anônimo disse...

Olá Mayara, como vai vossa mercê?
Muito interessante este post, pois não sabia nada sobre esta cidade, a não ser pelo famoso coservatório, como você colocou no texto, mas esta agora me soa como um tanto harmoniosa e de clima bem ameno. Quanto à música, não tem como ser ruim, pois a cidade é pequena e não existe meios (com a exceção do "Domingão do Faustão") de ter contato com essa música.
Salve o Conservatório!
Um grande abraço!
Paula Pinhoni

Unknown disse...

Deus te deu uma dádiva para que vc esplanasse e comprovasse a Sua existência.
sua cidade é só o começo...

Fábio Deodato disse...

Olá Mayara.
Enquanto lia teu post lembrei da música cidades e lendas que Fausto Nilo escreveu e Zé Ramalho interpretou tão bem.
Na verdade muitas vezes não sabemos o que mais predomina em nossa vivência, se é a cidade em nós ou nossa alma na cidade, ou ainda, a insatisfação de não cabermos por muito tempo em cidade alguma.
Como Nilo escreveu, As cidades São atlântidas concretas baseadas na pobreza, Babilônias da desconstrução sob a lama de nossos pés.
Por mais pacatas que sejam, são povoadas por alguns que buscam evolução profissional ou espiritual e por outros que já foram domados pela política ingrata, pelo conformismo barato e pela ilusão de sempre ser o que nunca conseguirão dentro daquele espaço.
Assim, para os conformados a cidade sempre estará neles, mas, para os reais aventureiros e sonhadores, as cidades serão sempre cometas que impressionam, chocam, e vão embora.
O que fica então, é a história de quem permanece e de quem já se foi. A lembrança dos importantes e a contribuição quase que despercebida dos que já foram esquecidos.
E de resto, fica o refrão que Zé Ramalho cantou a todos pulmões, onde diz que toda cidade é uma lenda com tendas de ferro e cristal, Ruas de luz e de penas e cenas de fogo e jornal!